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Os pontos mais relevantes são:
- Passará a haver apenas eleições para a Assembleia Municipal;
- O Presidente da Câmara será o cabeça da lista mais votada;
- Ao partido mais votado será atribuida uma maioria de vereadores de dois terços;
- Os vereadores serão escolhidos pelo Presidente da Câmara dentre os membros da Assembleia Municipal da sua lista;
- Os presidentes das juntas de freguesia não poderão votar na Assembleia Municipal os orçamentos e planos de actividade;
- O Presidente poderá substituir qualquer vereador por outro deputado da Assembleia Municipal;
- As listas menos votadas terão direito a um terço dos vereadores, eleitos pelo método da proporcionalidade;
- A Câmara poderá ser destituída pela Assembleia, desde que haja uma maioria de 60%.
- O numero de vereadores de cada município será menor.
Se existirem 3 listas maioritárias, cada qual com 30% dos votos, basta os ICAS terem mais um voto que o segundo partido para ficarem logo com maioria na Câmara. Mas não a terão na Assembleia, podendo a Câmara ser destituída (ou a composição do executivo não ser aprovada) pois a oposição terá mais que os tais três quintos (60%). E depois como é?
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Mas também há aspectos positivos: os cargos por inerência na Assembleia (os presidentes de Junta de Freguesia) deixam de poder votar nos orçamentos. Tal era uma situação que desvirtuava o voto directo dos eleitores pois tinham direito a voto num órgão para o qual não foram sufragados pelas populações. Imaginem o Municipio de Barcelos com as suas 89 freguesias em que os presidentes das juntas são em maior número que os deputados municipais!
Poderia ter-se ido mais longe, afastando-os da Assembleia Municipal. Na Assembleia da República também só existem deputados eleitos pelo povo, não há inerências. Mas já foi dado um passo. Se já estivesse em vigor esta lei, o Orçamento para 2008 da CM de Alcanena não teria sido aprovado. Ou tê-lo-ia sido doutro modo...Por outro lado, fica sempre assegurado à oposição um terço dos vereadores, o que em certos casos pode ser relevante, caso de municipios do interior com poucos vereadores em que quem ganhava arrebata todos os lugares. Agora pelo menos um será da oposição. Mas também poderá acontecer que uma lista com 30% dos votos só tenha um vereador...
Vamos a ver...ainda falta muita água para correr pelas pontes até a lei ser aprovada na especialidade.
JMQ in "Minde-Online"
1 comentário:
Olá, bom dia
Muito bem explicado. Por aqui se vê o que o "bloco central" de interesses anda a tentar impingir ao povo português. Faltou referir que os pequenos partidos vão levar um rombo, que os poderá mesmo quase eliminar da cena política autárquica.
Deve ser uma das leis mais anti-democráticas elaboradas no pós 25 de Abril.
Abaixo o fascismo - viva o 25 de Abril
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